Festa. Salto alto. Vestido apertado. Gente chata. Eu socializando e querendo dar um tiro no meu pé.
Daí liguei pra ele.
― Cadê você?
― No trânsito.
― Não serve nem pra chegar no horário!
― Deve ser culpa minha o engarrafamento… É sempre culpa minha. Eu que mandei todos da cidade sairem de carro e ficarem na minha frente, só pra te deixar zangada.
― Bem capaz… ― suspirei. ― Mas não demora, por favor. Não gosto de pessoas.
― Então eu sou um ET?
― Você é um panda, cara.
― Oh, sempre quis ser um panda.
― Pra constar, isso foi um elogio.
― Não, você me chamou de gordo.
― Não, eu te chamei de “o animal mais interessante, legal e bom de apertar do mundo inteiro”, que não perde a graça aos meus olhos nem se passar o dia se coçando e mastigando um bambu.
― Você… me chamou de animal?
― Tô vendo que, na verdade, tu é uma tartaruga. Acabei de dizer que você é melhor que o resto do mundo e que eu prefiro passar o dia olhando pra essa tua cara amassada de panda do que fazendo algo aproveitável. E tudo que você consegue entender é que eu te chamei de animal. Cruzes! Também não digo mais nada.
― Você é a única pessoa do mundo que consegue se declarar e xingar ao mesmo tempo, sabia? Eu também te amo, pandora.
― Pandora?
― É a mulher do panda.
― Não. É aquele planeta do Avatar.
― Não é pra fazer metáfora? Então, você é meu mundo, minha pandora, toda azul e linda de raiva.
― Cara, essa foi a pior metáfora que eu já ouvi na minha vida. Fica por aí no trânsito mesmo, sério.
― Sério? Porque eu posso pegar um retorno agora mesmo.
Bufei. Engoli a porção de xingamentos que eu tinha em mente e pedi, baixinho:
― Vem logo, por favor.